quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Charles Perrault



Charles Perrault (Paris, 12 de janeiro de 1628 - Paris, 16 de maio de 1703) foi um escritor e poeta francês do século XVII, que estabeleceu bases para um novo gênero literário, o conto de fadas, além de ter sido o primeiro a dar acabamento literário a esse tipo de literatura, feito que lhe conferiu o título de Pai da Literatura Infantil. Suas histórias mais conhecidas são Le Petit Chaperon rouge (Chapeuzinho Vermelho), La Belle au bois dormant (A Bela Adormecida), Le Maître chat ou le Chat botté (O Gato de Botas), Cendrillon ou la petite pantoufle de verre (Cinderella), La Barbe bleue (Barba Azul) e Le Petit Poucet (O Pequeno Polegar). Contemporâneo de Jean de La Fontaine, Perrault também foi advogado e exerceu algumas atividades como superintendente do Rei Luís XIV de França.

A maioria de suas histórias ainda hoje são editadas, traduzidas e distribuídas em diversos meios de comunicação, e adaptadas para várias formas de expressões, como o teatro, o cinema e a televisão
, tanto em formato de animação como de ação viva.

Primeiros anos

Charles Perrault nasceu em 1628 em Paris. Quinto filho de Pierre Perrault e Paquette Le Clerc da alta burguesia, completou seus estudos sozinho, por ter se desentendido com um professor. Dá início aos seus estudos em 1637, no colégio de que viria a concluir aos quinze anos, tendo demonstrado um certo Beauvais, talento para as línguas mortas. Seu irmão Claude Perrault tornou-se um renomado arquiteto. Em 1643 ingressa no curso de Direito e, em 1651, com apenas vinte e três anos, consegue o seu diploma, tornando-se advogado.

Profissão

Em 1654, Perrault torna-se funcionário junto do seu irmão mais velho Pierre, cobrador geral do reino e, depois de ter publicado uma série de odes dedicadas ao rei, torna-se assistente de Colbert, o famoso conselheiro de Luís XIV. Em 1665 passou a ser superintendente das obras públicas do reino e, dois anos mais tarde, ordena a construção do Observatório Real, de acordo com as plantas do seu irmão Claude.

No ano de 1671 é eleito para a Academia Francesa de Letras e no dia da sua inauguração permitiu ao público presenciar a cerimónia, privilégio continuado ainda nos nossos dias. No ano seguinte, não só é nomeado chanceler da Academia, como contrai matrimónio com Marie Guichon.

Vida pessoal

Ele casou-se em 1672 com Marie Guichon, 19, que morreu em 1678 dando à luz uma menina e três filhos deficientes que morreram em seguida por não terem como sobreviver no orfanato depois que seu pai mandou eles irem pra lá isso aconteceu em 1685.

Morte

Perrault faleceu na madrugada de 16 de maio de 1703, com 73 anos, em sua casa em Paris. Seus pais faleceram logo após sua morte.

Carreira literária

Querela dos Antigos e dos Modernos

Na Academia Francesa, Charles Perrault protagonizou uma longa disputa intelectual, batizada de Querela dos Antigos e dos Modernos. Os Antigos eram escritores que acreditavam na superioridade da antiguidade greco-romana sobre toda e qualquer produção francesa. Os Modernos, contudo, defendiam que a produção literária francesa não era inferior aos clássicos do passado. Perrault liderava o grupo dos Modernos e tentou provar a superioridade da literatura de seu século com as publicações Le Siècle de Louis le Grand (1687) e Parallèle des Anciens et des Modernes (1688–1692).

Contos de fadas

Em 1695, aos 62 anos, perdeu seu posto como secretário. Idoso, resolveu registrar as histórias que ouvia de sua mãe e nos salões parisienses. O livro, publicado em 11 de janeiro de 1697, quando contava quase 70 anos, recebeu o nome de Histórias ou contos do tempo passado com moralidades, mas também era chamado de "Contos da Velha" e "Contos da Cegonha", ficando, afinal, conhecido como "Contos da mamãe gansa". A publicação rompeu os limites literários da época e alcançou públicos de todos os cantos do planeta, além de marcar um novo gênero da literatura, o conto de fadas. Foi, ao fazer isto, o primeiro a dar acabamento literário a esses tipos de histórias, antes apenas contadas entre as damas dos salões parisienses.

Obra

Contos da Mamãe Gansa

Publicado em 1697 sob o título Histórias ou contos do tempo passado com moralidades, embora tenha ficado conhecido por seu subtítulo: Contos da mamãe gansa. As morais vinham em forma de poesia, que encerravam cada história.

Outras

  • Le Siècle de Louis le grand
  • Parallèle des anciens et des modernes en ce qui regarde les arts et les sciences. Dialogues avec le poème du siècle de Louis-le-Grand et une épitre en vers sur le génie (1688)
  • L’Énéïde burlesque (1648)
  • Les Murs de Troyes, ou L’origine du burlesque (1649)
  • Dialogue de l’amour et de l’amitié (1660)
  • Le Miroir, ou la Métamorphose d’Orante (1661)
  • Le Labyrinthe de Versailles (1670). Prosa de Charles Perrault, verso de Isaac de Benserade.
  • Saint Paulin, évesque de Nole, poème, avec une epistre chrestienne sur la pénitence, et une ode aux nouveaux-convertis (1686).
  • La Chasse. À monsieur de Rosières.
  • Les Hommes illustres qui ont paru en France pendant ce siècle, avec leurs portraits au naturel (2 volumes, 1696-1700)
  • Contes de ma mère l’Oye, ou Histoires ou contes du temps passé avec des moralités, Contos da Mamãe Ganso (1697).
  • Mémoires de ma vie. Voyage à Bordeaux (1709)
  • Mémoires.
  • Courses de têtes et de bagues, faites par le roi et par les princes et seigneurs de sa cour (Paris, 1670.)
  • Recueil de divers ouvrages en prose et en vers (Paris, 1675)
  • Saint Paulin, évêque de Nole, poema (Paris, 1686)
  • Poème de la peinture

Ver também

Fonte: Wikipédia


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Augusto Severo de Albuquerque Maranhão


Augusto Severo de Albuquerque Maranhão (Macaíba, Rio Grande do Norte, 11 de janeiro de 1864 - Paris, França, 12 de maio de 1902) foi um político, jornalista, inventor e aeronauta brasileiro.


Augusto Severo de Albuquerque Maranhão foi o oitavo dos quatorze filhos do pernambucano Amaro Barreto de Albuquerque Maranhão (1827-1896) e da paraibana Feliciana Maria da Silva de Albuquerque Maranhão (1832-1893). Realizou seus estudos primários em Macaíba, e os secundários no Colégio Abílio César Borges, em Salvador (BA). Em 1880, viajou para o Rio de Janeiro, então capital do Império, e iniciou seus estudos de engenharia na Escola Politécnica.


Os primeiros projetos aeronáuticos

Motivado pelos trabalhos em aerostação do inventor paraense Júlio César Ribeiro de Souza, que apresentou um projeto de dirigível ao Instituto Politécnico Brasileiro em 1881, Severo passou a se interessar pelo voo, realizando observação de aves planadoras e construindo pequenos modelos de pipas, uma das quais denominou Albatroz. Em 1882, passou a lecionar matemática no Ginásio Norte Riograndense, de propriedade de seu irmão Pedro Velho de Albuquerque Maranhão, acumulando a função de vice-diretor.

No ano seguinte o ginásio fechou e Severo dedicou-se ao comércio, primeiro como guarda-livros da empresa Guararapes e mais tarde, seguindo os conselhos de seu irmão Adelino, associou-se à firma A. Maranhão & Cia. Importadora e Exportadora até 1892. Em 1888, casou-se com a pernambucana Maria Amélia Teixeira de Araújo (1861-1896), com quem teve cinco filhos. No ano seguinte passou a escrever artigos para o jornal A República, anti-monárquico, do irmão Pedro Velho e projetou um dirigível que incorporava ideias revolucionárias, o Potyguarania, que, porém, nunca chegou a ser construído.

Política

Em 1892 Augusto Severo abandonou de vez a carreira comercial para dedicar-se à política, onde lhe estava reservado o mais honroso papel. Eleito deputado ao Congresso constituinte que organizou o Estado, teve, em 1893, de preencher a vaga aberta na Câmara dos Deputados Federais pela eleição do Dr. Pedro Velho para o cargo de governador do Estado do Rio Grande do Norte.

A passagem de Augusto Severo pelo parlamento brasileiro ficou assinalada por muitos projetos que viraram leis no país, por trabalhos importantíssimos nas comissões de orçamento, de tarifas, de marinha, sobretudo nesta, onde revelou conhecimentos náuticos que o fizeram autoridade na matéria, chegando muitas vezes a ser apontado para o cargo de ministro da marinha, com o aplauso da ilustre corporação da armada nacional. Defendeu projetos relativos ao saneamento público, assistência à infância, proteção aos operários dos arsenais.


O dirigível Bartholomeu de Gusmão

Em outubro de 1892, ouvida a opinião favorável de abalizados professores da Escola Politécnica, concedeu o Governo um auxílio pecuniário para que Augusto Severo de Albuquerque Maranhão pudesse mandar fazer na Europa um aeróstato dirigível de sua invenção que incorporava as ideias que havia desenvolvido anteriormente. A esse aeróstato deu o nome de Bartholomeu de Gusmão, em homenagem ao inventor brasileiro Bartolomeu Lourenço de Gusmão, que apresentou em 1709, diante da corte portuguesa, um pequeno balão de ar quente. O dirigível Bartolomeu de Gusmão introduzia um conceito novo. Era um aparelho semirrígido, em que o grupo propulsor estava integrado ao invólucro através de uma complexa estrutura trapeizodal em treliça. O invólucro foi encomendado à Casa Lachambre, a principal firma de Paris especializada na construção de balões. Numa carta escrita da França e datada de 5 de dezembro de 1893, Maranhão explicou os princípios da aeronave:


O Bartholomeu de Gusmão sendo experimentado em 7 de março de 1894, no Realendo (Rio de Janeiro, Brasil).

"Estabeleceu como princípio a ciência que a navegação aérea dependia da possibilidade de se obter a justaposição dos centros de tração e resistência. Com efeito, produz esta justaposição uma diminuição considerável de resistência e faz desaparecerem as rotações perturbadoras do movimento do aeróstato, rotações que se dão quando a força propulsiva não se acha colocada sobre a resultante das resistências desenvolvidas. Ora, foi essa justaposição que consegui obter no meu aeróstato. As características do meu invento, denominado 'Sistema Potiguarânia', são estas: 1a. Os meios empregados para fazer coincidir a força de propulsão com a resultante das resistências, pela combinação de um aeróstato, de forma ovóide, e de uma carcaça sólida, de metal ou de qualquer outra matéria, cuja haste superior se vá apoiar no fundo de um bolso, feito em todo o comprimento do aeróstato, e que sustenta, de um lado a hélice, e posto no prolongamento da referida haste, e do outro a barquinha e os demais órgãos. 2a. A disposição especial do leme, também sustentado pela carcaça sólida, e formado de duas asas que, na ocasião da subida do aeróstato, ficam verticalmente para não dificultarem a ascensão. Estou inteiramente convencido de que governarei o meu 'Bartholomeu Dias' [sic] com uma velocidade de 15 a 20m/s, podendo aumentá-la até 50m/s. O meu sistema já está privilegiado em França. Conto chegar ao Rio em fevereiro para fazer aí a primeira experiência pública do meu invento."


O balão, de cerca de 2.000m3, medindo 60m de comprimento, chegou ao Brasil em março de 1893. A estrutura em treliça, inicialmente projetada para ser executada em alumínio, foi construída no campo de tiro de Realengo(RJ), assim como a montagem de uma usina para a produção de hidrogênio. A falta do material previsto para construção da estrutura fez com que Severo alterasse o projeto, construindo a parte rígida do aparelho em bambu. Tratava-se de uma estrutura complexa que deveria suportar o motor elétrico com as baterias e os tripulantes e, além disso, apresentar resistência suficiente para aguentar os esforços durante o voo.


Só em 1894 o Bartholomeu de Gusmão realizou as primeiras ascensões ainda como balão cativo e mostrou-se estável e equilibrado, demonstrando que a concepção proposta por Severo era adequada para o voo. A introdução de uma estrutura semirrígida integrada ao balão permitia que a hélice propulsora ficasse alinhada ao eixo longitudinal do invólucro, evitando assim que o aparelho apresentasse uma tendência de levantar a frente quando o motor fosse acionado. Este problema, conhecido como tangagem, comprometia o equilíbrio e reduzia substancialmente a velocidade. Mas no único voo do dirigível livre das amarras, a estrutura em bambu não aguentou os esforços e se partiu.

Novos inventos

Em 19 de abril de 1896, no Rio de Janeiro, pediu patente para um “turbo-motor com expansões múltiplas e continuadas”, concedida no dia seguinte, às 12h40min (n 2.940). Em 20 de outubro desse ano sua mulher faleceu, após o que Augusto Severo iniciou um relacionamento amoroso com Natália de Siqueira Cossini, de origem italiana, com a qual teria dois filhos. Em 27 de julho de 1899, no Rio de Janeiro, Severo patenteou um novo balão dirigível, o Paz (posteriormente o nome foi latinizado para "Pax"), e em 23 de julho de 1901, uma "máquina a vapor rotativa e reversível", com a qual os navios poderiam atingir velocidades maiores.

O dirigível Pax

Em fins de 1901, Severo licenciou-se da Câmara para se dedicar à construção do novo dirigível que inventou, o Pax. Este novo dirigível era um desenvolvimento do seu anterior, o Bartholomeu de Gusmão, e Severo introduziu uma grande quantidade de inovações: abandonou o leme de direção e introduziu ao todo sete hélices: uma na popa, outra na proa, outra na barquinha e quatro laterais. Manteve a sua ideia de se fazer uma aeronave integrando a quilha que levava os tripulantes e o grupo motor ao balão. Sem ter conseguido qualquer auxílio externo, Maranhão teve que assumir toda a despesa para a construção. Pretendia usar motores elétricos, mas a falta de recursos e de tempo fez com que ele optasse por dois motores a petróleo tipo Buchet, um com 24v e o outro com 16cv. O invólucro tinha a capacidade de 2.500m3 de hidrogênio, com 30m de comprimento e 12 no maior diâmetro. O aparelho pesava cerca de duas toneladas. Os ensaios foram realizados nos dias 4 e 7 de maio de 1902 com sucesso.

Morte

No dia 12 de maio de 1902, tendo como mecânico de bordo o francês Georges Saché, o Pax iniciou seu voo às 5h30min saindo da estação de Vaugirard, Paris. Elevou-se rapidamente atingindo cerca de 400 metros. Realizou diversas evoluções que mostraram aos inúmeros espectadores que as ideias de Severo estavam corretas. Cerca de dez minutos após o início do voo, o Pax explodiu violentamente, projetando os dois tripulantes para o solo. Severo e Sachet morreram na queda. Os restos do dirigível caíram na Avenida du Maine, Paris, diante de uma grande multidão que seguia com interesse a demonstração. A catástrofe do Pax teve um impacto enorme. Natália, que assistiu a queda, não se recuperou e, após retornar ao Brasil, suicidou-se com um tiro no coração em 23 de junho de 1908, aos 30 anos de idade. A configuração proposta por Severo, de um dirigível semirrígido, foi revolucionária e influenciou o desenvolvimento dos dirigíveis nas décadas seguintes.


Fonte: Wikipédia

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Lamartine Babo

Lamartine Babo (1904-1963) foi um compositor brasileiro.

Lamartine Babo nasceu no Rio de Janeiro, no dia 10 de Janeiro de 1904. Mesmo tendo sido um leigo em técnica musical, Lamartine criou melodias maravilhosas, resultantes de seu espírito inventivo e altamente versátil. Lamartine Babo compôs canções de vários gêneros. No entanto, foi através das marchinhas carnavalescas que o seu nome se tornou mundialmente conhecido. Em suas letras, predominavam o humor refinado e a irreverência. Como poucos, Lamartine alcançou os dois extremos da alma brasileira: a gozação e o sentimento.

Torcedor do América e apaixonado por futebol, Lamartine compôs a letra e a música dos hinos de todos os grandes clubes do Rio de Janeiro. Desde cedo, Lamartine teve contato com a música. Seu talento não tardou a se manifestar. Aos 13 anos de idade, Lamartine compõe sua primeira valsa, "Torturas do Amor" e aos 16 anos, compõe a opereta "Cibele". Em 1925, depois de ser despedido da Light, onde trabalhava como office-boy, pode se dedicar exclusivamente à música. Passou a compôr para blocos carnavalescos. Neste ano, conquistou certo prestígio com a marchinha "Foi Você". Sua primeira marchinha gravada, foi a divertida "Os Calças-Largas", em que Lamartine debochava dos rapazes que usavam calças boca-de-sino.

Em 1937, com a censura imposta pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, carnavalescos irreverentes como Lamartine Babo ficaram proibidos de utilizar a sátira em suas composições. Sem a irreverência costumeira, as marchinhas não foram mais as mesmas. Em 1951, aos 47 anos, Lamartine Babo, que nunca tivera sorte no amor, casou-se, enfim.

Morreu vitimado por um enfarte, no dia 16 de Junho de 1963, deixando seu nome no rol dos grandes compositores deste país.


Fonte: http://www.e-biografias.net

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

João Cabral de Melo Neto

Descendente de tradicionais famílias de Pernambuco e da Paraíba, João Cabral de Melo Neto foi o segundo dos seis filhos de Luiz Antonio Cabral de Melo e de Carmem Carneiro Leão Cabral de Melo.

Nasceu no Recife, capital do Estado de Pernambuco, no dia 9 de janeiro de 1920, mas como seu pai era senhor de engenho, passou parte da infância e adolescência em engenhos de açúcar. Primeiro no Poço do Aleixo, em São Lourenço da Mata, e depois nos engenhos Pacoval e Dois Irmãos, no município de Moreno. A vida no campo marcou profundamente o poeta.

Apesar da vivência nos grandes centros, Cabral nunca se adaptou à cidade grande e à agitação do mundo urbano, sentindo-se para sempre um homem do interior. Na infância feliz, seu tempo era dividido entre as brincadeiras na casa grande com Virgínio, seu irmão mais velho a quem era muito unido, e os passeios a cavalo pelo canavial. João Cabral era uma criança sensível e, desde pequeno, demostrava preocupação com o ser humano, numa atitude muito singular para sua pouca idade.

Por volta dos oito anos de idade, ele morava com a família em Recife e ía para o engenho no tempo das férias. Seu irmão Virgínio lembrou que, aos domingos, o administrador do engenho ia à feira fazer as compras de mantimentos para a casa. Nestas ocasiões João Cabral dava-lhe dinheiro e encomendava a compra de folhetos de cordel. À tarde ele ia para a moita do engenho e, com os empregados todos ao redor de si, lia três, quatro folhetins para o pessoal do engenho.

O contato com os trabalhadores da usina seria uma experiência fundamental para o poeta pois, mais tarde, na vida adulta, viajando pelo mundo como diplomata, Cabral teria o necessário distanciamento para ver melhor, com preocupação e pungência, a verdadeira realidade do nordeste e retratá-la em sua obra.

De forma bem humorada o escritor Décio Pignatari definiu assim o poeta João Cabral: "Ele tem um lado popular que se chama João Cabral e tem um lado aristocrático que se chama Melo Neto. Então, ele é, um pouco, todo este universo conflituado e passou quarenta anos tentando resolver este conflito."


Em 1930, ano da revolução, terminava a Primeira República. Começava a Era Vargas e, por complicações políticas com o presidente Getúlio Vargas, seu pai, Luís Antônio Cabral de Melo, foi obrigado a abandonar o engenho. No Recife, um novo mundo menos acolhedor e tranqüilo se apresentava ao poeta e, apesar das brincadeiras nos trilhos de trem e dos alegres acompanhamentos no corso em época de carnaval, a vida já não era tão feliz.

Matriculado no colégio Marista onde cursou até o secundário, Cabral sofria profundamente com a severidade do estabelecimento. Criança tímida embora avessa a tudo aquilo, não conseguia se rebelar, desenvolvendo uma personalidade introspectiva, séria e profundamente angustiada. Apesar de toda racionalidade com que sempre enxergou a vida manteve, para sempre, um terrível medo do inferno com suas labaredas, caldeirões e todo aquele mundo tenebroso de culpa e pecado com que os padres costumavam ameaçá-lo.

No Recife, a visão dos retirantes fugitivos da seca, dos miseráveis habitantes dos manguezais, o contraste entre os casarões e os mocambos construídos dentro da lama, também afetariam o poeta. Uma realidade que mais tarde se transformaria num outro elemento importante de sua poesia participante.


Fonte: http://www.casadobruxo.com.br

domingo, 8 de janeiro de 2012

Elvis Presley

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Elvis Aaron Presley, nas circunstâncias mais humildes, nasceu para Vernon e Gladys Presley em uma casa de dois quartos em Tupelo, Mississipi no dia 8 de janeiro de 1935. Seu irmão gêmeo, Jessie Garon, nasceu morto, e Elvis cresceu como filho único. Ele e seus pais se mudaram para Memphis, Tennessee em 1948, e Elvis lá se formou na Humes High School em 1953.

As influências musicais de Elvis eram a música pop e country da época, a música gospel que ele ouvia na igreja e nas noites de cantoria que ele frequentava, e o R&B que ele absorveu na histórica Beale Street quando adolescente em Memphis. Em 1954, ele iniciou sua carreira musical no lendário selo Sun Records em Memphis. No fim de 1955, seu contrato foi vendido para RCA Victor. Em 1956, ele era uma sensação internacional. Com um som e estilo que unicamente combinavam suas diversificadas influências e confundiam e desafiavam as barreiras racias da época, ele conduziu uma nova era da música e cultura pop Americana.


Ele estrelou 33 filmes de sucesso, fez história com suas aparições na televisão e especiais, e foi muito aclamado por suas apresentações que frequentemente quebravam recordes, suas turnês e em Las Vegas. Globalmente, ele já vendeu mais de um bilhão de discos, mais do que qualquer outro artista. Suas vendas Americanas o garantiraram prêmios de ouro, platina e multi-platina por seus 149 álbuns e singles, muito mais do que qualquer outro artista. Entre seus muitos prêmios estão 14 indicações ao Grammy (3 prêmios) da National Academy of Recording Arts & Sciences, o prêmio Grammy por sua obra, que recebeu aos 36 anos, e a nomeação como um dos 10 Jovens Homens Mais Prominentes da Nação em 1970 nos EUA. Sem nenhum dos privilégios que seu status de celebridade poderiam ter o concedido, ele serviu seu país no Exercíto dos EUA.


Seu talento, beleza, sensualidade, carisma e bom humor o tornou querido para milhões, assim como a humildade e bondade que desmontrou durante sua vida. Conhecido pelo mundo por seu primeiro nome, ele é considerado uma das figuras mais importantes da cultura pop do século 20. Elvis morreu em sua casa em Memphis, Graceland, em 16 de agosto de 1977.

Fonte: Elvis.com
Tradução: Equipe Vagalume

sábado, 7 de janeiro de 2012

Nicette Bruno



Nicette Bruno se chama Nicette Xavier Miessa. Nasceu em Niterói, Rio de Janeiro, em 7 de janeiro de 1933.

Os avós maternos e paternos eram descendentes de alemães e franceses. Teve uma avó médica, cujos irmãos eram arquitetos e engenheiros. “Gente estudada”, como se dizia naquela época. Mas o que os diferenciava ainda mais das outras pessoas é que todos tocavam algum instrumento musical. A mãe de Nicette era cantora. A irmã da mãe também. E os tios estudaram balé clássico no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Eram, portanto, artistas amadores. Nicette, que se criou nesse ambiente artístico, logo se profissionalizou, arrastando consigo a mãe, Leonor. Na verdade também os tios e a mãe foram participar de shows no Cassino da Urca, e no Cassino Atlântico. Formaram, o “Show dos Irmãos Bruno”, com muito sucesso. A garota então teve todo o apoio da família, quando ingressou no Teatro Universitário do Rio de Janeiro. Ali conheceu artistas famosos, como Dulcina de Moraes, Odilon Azevedo, Conchita de Moraes, Itália Fausto, Luiz Delfino, Baeta Brasil, Pascoal Carlos Magno. Estava então com 14 anos.

Nicette ganhou o papel de Julieta, em Romeu e Julieta. E depois passou para o Teatro Municipal. Fez “O Anjo Negro”, de Nelson Rodrigues. Ganhou logo um nome grande no teatro. Daí surgiu a idéia de se construir o “Teatro de Alumínio”, um teatro itinerante, no Rio de Janeiro. E Nicette foi ao Presidente Getúlio Vargas, que se encantou com a beleza e juventude da garota, dizendo-lhe: “Sim”. Mas a verba não saiu, o que frustrou Nicette e a deixou mal com a imprensa, pois ficou tida como mentirosa.

Nicette tinha 16 anos e uma vontade firme. Resolveu viajar para São Paulo e conseguiu montar o Teatro de Alumínio na capital paulistana, no Vale do Anhangabaú, na Praça das Bandeiras. Junto com ela estava Abelardo Figueiredo, que havia nascido na mesma rua, no bairro de Icaraí, em Niteroi, e foi sempre seu amigo. Aí Nicette formou a Companhia Nicette Bruno, o T.I.N.B. (Teatro Íntimo Nicette Bruno). Conseguiu que Ruggero Jacobbi dirigisse suas peças e contratou, para ser galã, Paulo Goulart, com quem, tempos depois, veio a se casar e a ter três filhos: Bárbara, Beth e Paulinho. Todos seguiram a carreira artística.


O casamento realizou-se no palco do teatro. Nicette Bruno foi também para a televisão. E sempre dividiu suas atividades entre as três coisas: atriz de teatro, empresária teatral e atriz de televisão. Fez sempre enorme sucesso.

Estreou em televisão ainda na época do Teatro de Alumínio, na TV Tupi de São Paulo, fazendo participações especiais em recitais e teleteatros, como em "A Corda", dirigido por Cassiano Gabus Mendes. Naquela emissora, atuou ainda na primeira adaptação do Sítio do Picapau Amarelo. Em seguida, trabalhou no Teatro de Comédia da TV Rio, sob a direção de Maurício Sherman, e no programa Dona Jandira em Busca da Felicidade, da TV Continental, junto com Paulo Goulart.

Mas seu primeiro papel de destaque na televisão foi em 1967, na novela "Os Fantoches", da TV Excelsior. Por lá, ainda fez: "Legião dos Esquecidos" (1968), "A Muralha" (1968) e "Sangue do Meu Sangue" (1969). Depois, na TV Tupi, fez "A Gordinha" (1970), "O Meu Pé de Laranja Lima" (1970), "A Fábrica" (1972), "Signo da Esperança" (1972), "Camomila e Bem-me quer" (1972), "Rosa dos Ventos" (1973), "Divinas e Maravilhosas" (1973), "Papai Coração" (1976), "Éramos Seis" (1977), "Salário Mínimo" (1978) e "Como Salvar Meu Casamento" (1979).

Em 1980, estreia na TV Globo, no seriado "Obrigado, Doutor". Depois, em 1982, faz a novela "Sétimo Sentido". Fez também: "Louco Amor" (1983), "Meu Destino é Pecar" (1984 / minissérie), "Tenda dos Milagres" (1985 / minissérie), "Selva de Pedra" (1986), "Bebê a Bordo" (1988), "Rainha da Sucata" (1990), "Perigosas Peruas" (1992), "Mulheres de Areia" (1993), "Incidente em Antares" (1994 / minissérie), "Engraçadinha - Seus Amores e Seus Pecados" (1995 / minissérie), "A Próxima Vítima" (1995), "O Amor Está no Ar" (1997), "Labirinto" (1998 / minissérie), "Andando nas Nuvens" (1999), "Flora Encantada" (1999 / seriado infantil), "Aquarela do Brasil" (2000 / minissérie") e "Brava Gente" (2000 / seriado).

Entre 2001 e 2004, interpretou o personagem Dona Benta na nova versão do seriado infantil "Sítio do Pica-Pau Amarelo".

Continuando na Globo, fez ainda as novelas "Alma Gêmea" (2005), "Sete Pecados" (2007), "Ti ti ti" (2010) e "A Vida da Gente" (2011), além do seriado "Dicas de um Sedutor" (2008) e do especial "Dona Fofa" (2008).

Possui também uma produtora que leva seu nome: Nicete Bruno Produções Artísticas.

Já fez alguns filmes: "Querida Susana" (1947), "Esquina da Ilusão" (1953), "A Marcha" (1972), "Zoando na TV" (1999) e "A Guerra dos Rocha" (2008), porém sem nunca deixar o teatro.

Faz muitos “comerciais” para a televisão. Mulher de tantas atividades, o que encanta, porém em Nicette, é seu jeito doce, meigo, terno e feminino de ser. Sua beleza não sofisticada, sua eterna juventude.


Fonte: http://www.museudatv.com.br


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Joana D'Arc

6 de janeiro 1412, Domrémy (França)
30 de maio de 1431, Ruão (França)

[creditofoto]

A vida de Joana D'Arc está eminentemente ligada à Guerra dos Cem Anos, um conjunto de conflitos no qual Inglaterra e França lutaram entre si, de 1337 a 1453.

O estopim da guerra ocorreu quando o rei Eduardo 3º, da Inglaterra, diante da morte de Carlos 4º, rei da França, passou a alegar que teria direito ao trono francês, pois sua mãe era irmã do monarca falecido. Ao mesmo tempo, ocorriam disputas territoriais envolvendo setores da nobreza, principalmente porque a Inglaterra já dominava alguns feudos franceses. Com a nobreza dividida, o partido que defendia a supremacia da França entregou o trono a Felipe 6º, primo de Carlos 4º.

Em meio a inúmeras batalhas, nas quais os dois países disputavam fatias do território francês, quatro reis governaram a França: além de Felipe 6º, Carlos 5º, Carlos 6º e Carlos 7º. Antes que este último assumisse o poder, os ingleses já ocupavam quase toda a França, cuja nobreza, após da morte de Carlos 6º, dividiu-se entre os que defendiam o duque de Borgonha como sucessor do rei e os que tomaram o partido de Carlos, o delfim (o primogênito do rei, herdeiro natural do trono). Joana D'Arc surge exatamente no momento em que o delfim luta para se impor e ser coroado como Carlos 7º.

Mística e guerreira

Nascida em uma família de camponeses, no lugarejo de Domrémy, na região da Lorena, ao completar 13 anos Joana D'Arc passou a ouvir vozes que a incentivavam a ter uma vida devota e piedosa. Anos mais tarde, as vozes a exortaram a dirigir o exército francês, coroar o delfim e expulsar os ingleses da França.

Obedecendo às vozes que ela acreditava serem de anjos ou santos, Joana se dirige, em 1428, à guarnição da cidade de Vaucouleurs, onde se encontra com Robert de Baudricourt, capitão da guarnição real, e solicita uma escolta para ir ao encontro do delfim. Inicialmente, Baudricourt a despreza, mas diante da verdadeira tenacidade da jovem, que não esmorece com o passar dos meses, acaba cedendo.

Joana viaja, então, a Chinon, onde o delfim está escondido. E, graças a Baudricourt, é recebida. Depois de ouvi-la, Carlos faz com que ela seja interrogada por teólogos de sua confiança. Finalmente, depois de várias entrevistas, concede-lhe um exército de cinco mil homens. Para surpresa de todos, ela enfrenta os ingleses no cerco de Orléans e os derrota em 8 de maio de 1429. É o início de uma série de campanhas vitoriosas, que abrem caminho no território francês até a cidade de Reims, onde o delfim seria coroado a 17 de julho de 1429.

De bruxa a santa

A partir desse momento, Joana afirma não ouvir mais as vozes que a orientam. Decide, portanto, voltar para casa. O exército e o setor da nobreza que apoiava Carlos 7º insistem, contudo, para que ela fique e continue lutando. Ela cede, mas é derrotada e ferida em um ataque a Paris, cidade ainda sob domínio inglês - e, depois, acaba sendo presa pelo exército borgonhês, ao tentar libertar Compiègne.

Os borgonheses a entregam aos ingleses. Presa em Ruão, é submetida a um tribunal eclesiástico e acusada de bruxaria. Depois de interrogatórios e de um processo que se estendeu por três meses, Joana D'Arc foi condenada à fogueira por heresia e bruxaria. Executada em 30 de maio de 1431, na praça do Vieux Marché, suas cinzas foram jogadas no rio Sena, para que não se tornassem objeto de veneração pública.

Em 1450, os ingleses foram derrotados em Formigny. E, três anos mais tarde, em Castillion, quando são expulsos da França (exceto de Calais, de onde sairiam em 1558).

Anos mais tarde, o papa Calixto 3º reabriu o processo contra Joana D'Arc, e a inocência da guerreira foi rapidamente reconhecida, julgando-se hereges todos os que a condenaram. Séculos depois, em 1909, Joana D'Arc foi beatificada e depois declarada santa pelo papa Benedito 15º.

Enciclopédia Mirador Internacional, The Oxford Dictionary of Saints


Fonte: http://educacao.uol.com.br



 
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